quarta-feira, 25 de julho de 2012

Bon Iver no Coliseu dos Recreios, Lisboa


"Uma das melhores noites de sempre", jurou Justin Vernon Bon Iver no Twitter: "Obrigado Lisboa, esta noite encontrei a minha mente"
BLITZ ; " bonito ver como Justin Vernon passou de lobo solitário (e ferido) a homem com um plano e uma grande banda - o espetáculo que, ontem à noite, o nativo da pequena cidade de Eau Claire, no Wisconsin, trouxe ao Coliseu de Lisboa, num encontro pelo qual o público há muito ansiava, nada tem a ver com a crueza do primeiro Bon Iver que conhecemos. Às voltas com um desgosto de amor, na cabana gelada de que reza a lenda, o norte-americano assinou, em For Emma, Forever Ago , canções desalinhadas de qualquer referência que lhe pudéssemos apontar, num disco tão singular que se tornava complicado imaginar-lhe um sucessor. No ano passado, Bon Iver, Bon Iver mostrou-nos um Justin Vernon panorâmico, de vistas largas e arranjos mais arrojados, ainda que o detalhe à canção e à melodia, que mais uma vez pareciam esculpidas no gelo ou cravadas na pedra, se mantivesse. Ao vivo, percebemos ontem, a tendência para crescer confirma-se: não só Bon Iver, grupo de nove músicos em palco, é hoje um fenómeno de popularidade (Coliseu esgotado há semanas e a explodir de entusiasmo) como o som que praticam - entre percussão dupla, sopros, violinos, sintetizadores e acordeões, além dos mais convencionais instrumentos rock - é progressivamente pomposo, por vezes mesmo bombástico. Nunca pensámos dizê-lo, mas nesta estreia no Coliseu de Lisboa (segue-se o do Porto) demos por nós a pensar que a música de Bon Iver já é grande demais para um palco destes. E, no entanto, não se pode dizer que Bon Iver, o grupo, tenha feito qualquer cedência - terá sido antes o público a correr na sua direcão. O concerto, promovido a grande evento da noite e da região depois do cancelamento de Morrissey em Cascais, começou pontualmente, após primeira parte de Sam Amidon, e depressa se percebeu que, o que quer que Vernon e companheiros fizessem em palco, a partida estava ganha. Irrompendo em aplausos eufóricos a cada canção, os admiradores mais dados a exteriorizar as suas emoções acabaram por manchar momentos de maior intimismo, com gritos agudos e declarações de amor nas alturas erradas (havê-las-á?). Bem melhor que a indiferença palradora dos festivais, é certo, mas ainda assim algo perturbante. Engalanado com tecidos que pendiam do teto e tanto nos pareciam véus como rendas ou teias de aranha, o palco do Coliseu começou por receber, ainda na penumbra, a quase raridade "Woods". Ajoelhado e estilhaçando a voz com auto-tune, desde logo Justin Vernon conquistou a aclamação sem reticências da plateia - mesmo que o palco permanecesse às escuras e os músicos ocupassem, ainda, os seus lugares, não foram poucos os que quiseram registar o momento com câmaras de telemóvel. Após esta introdução algo inesperada, e sob as "rendas" agora coloridas pelas luzes, o concerto entrou então no ambiente estranhamente luxuriante de Bon Iver, Bon Iver , pela mão de "Perth". Se em disco as canções são amplas, ao vivo, mercê de sopros apocalípticos e guitarras que trovejam, o céu (ou o teto do Coliseu) é o limite. Assim foi, também, em "Towers" e "Holocene", ou em "Blood Bank", do EP do mesmo nome lançado entre os dois álbuns. Não obstante a entrega e a emoção da banda - Vernon mostrou-se especialmente tocado com a receção dos portugueses, considerando esta uma das melhores noites de sempre da sua banda - por vezes, sobretudo no início do concerto, o som pareceu-nos algo confuso e sentimos a falta da minúcia de estúdio, como se (lá está) o palco fosse curto para tanta grandiosidade. Noutras ocasiões, foi a incontinência emocional dos espectadores a quebrar belos momentos como "Flume", do primeiro disco, que a meio como que se desdobraria numa segunda canção, ou a magia de "re:Stacks" - Vernon inspiradíssimo, sozinho com guitarra elétrica, sob fundo de admiradores incapazes de manter o silêncio. Outros momentos houve, todavia, que interferência alguma seria capaz de arruinar: e é aqui que confessamos a nossa estupefação por vermos "Skinny Love", certamente uma das canções mais desesperadas dos últimos anos, transformada em hino que se canta a plenos pulmões num coliseu, como se de um êxito transversal se tratasse, com as tiradas "and I told you to be patient and I told you to be kind..." entoadas ao jeito de mantra pelo povo, a reluzirem contra a bateria poderosa da banda. Foi, até àquela altura, o momento mais impressionante do concerto, mas ainda teríamos, a abrir o encore, "Wolves (Act I and II)": uma peça de força imensa que, talvez galvanizados pela humildade dos agradecimentos de Vernon, os fãs ajudaram a construir, numa sintonia e emoção belas de se ver e boas de se aplaudir. Foi um daqueles finais apoteóticos e para a história, não se desse o caso de, após este instante em que tudo brilhou, a banda ainda ter tocado "For Emma". Foi então que, de mão no peito e, tudo leva a crer, coração nas mãos, Justin Vernon e sua imensa banda se despediram do público. Para trás ficava uma noite especial, onde pudemos vê-lo(s) crescer, explorar, mostrar diferentes facetas de uma música com muitas caras e conjugar mestria musical e emoção partilhável com a plateia. Mas não será, estamos em crer, o nosso último encontro com Bon Iver: e o próximo - mesmo além do do Campo Pequeno, em outubro - será, com toda a certeza, ainda maior. 1. Woods 2. Perth 3. Minnesota, WI 4. Flume 5. Towers 6. Hinnom, TX 7. Wash 8. Creature Fear 9. Holocene 10. Blood Bank 11. re: Stacks 12. Skinny Love 13. Calgary 14. Beth/Rest Encore: 15. The Wolves (Act I and II) 16. For Emma Na primeira parte, Sam Amidon apresentou-se, com coragem, sozinho com um banjo e uma mão cheia de canções folk que tanto traziam à memória Iron and Wine, o Sufjan Stevens antes da metamorfose ou mesmo Nick Drake (em "Way Go, Lily"). Ainda sozinho, o norte-americano referiu-se ao seu projeto como "uma banda", e mais tarde, tendo já tocado alguns temas à guitarra, recebeu a companhia de um clarinetista e de um violinista. No final, pediu a colaboração do público para cantar "Relief", versão de um "grande escritor de canções de Chicago": não percebemos na altura, mas é de um original de R Kelly que se trata. Já com vontade de fazer a festa, a multidão que enchia o Coliseu não atinou com o coro mas compensou com palmas a compasso, que parecem ter encantado o rapaz que, durante o dia, diz ter visitado as "montanhas" (colinas?) de Lisboa. Texto de: Lia Pereira " http://www.youtube.com/watch?v=UrMmr1oMPGA

sábado, 5 de novembro de 2011

Que bom tempo para ir Ver e Ouvir Max Richter..




sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A pedido de vários amigos, voltei a dar cor a este blog....










A Song For Staying In


terça-feira, 28 de junho de 2011

Sem titulo..


Confesso-vos, que hoje senti na plenitude o significado da palavra 'só' !

Talvez por isso, este regresso, a este lugar, onde as minhas tristezas e alegrias se espalham por aqui...


e porque gosto de versões, aqui fica esta lindíssima versão das 'Ronettes de 1963' pelos
DM Stith - Be My Baby


http://www.youtube.com/watch?v=paO1Px6Ej30


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Al-Kindi Ensemble

O Concerto/Dança desta noite foi hipnótico, inebriante os dançarinos derviches dançam rodopiando.
Chegam a estar 45 minutos a rodopiar sobre si sem parar. ( o ultimo tema "transcendance pour marie" foi exemplo disso.
Durante a dança, entram em transe ligando-se aos seus guias espirituais e a Deus.
Há alturas que temos que desviar o olhar, não vamos nos cair em desequilíbrio pela trip visual que nos é dado.
Um concerto para recordar...



aqui fica um exemplo desta magnifica dança :


Segunda, 31 Jan 2011, 21h
no Grande Auditório da Gulbenkian

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Biutiful


[Uxbal] has to go through a journey,” Bardem says. “He has to struggle and evolve in himself as a human being, and see the best and the worst of himself—and in him, we see ourselves. If you are not ready to see that, then well you’re not and that’s okay, but… [when I experience a film] I want to see something that explains the complexity of ourselves on screen.”

To prepare for the role, Bardem returned to the acting school he’s been attending for over 20 years. After meeting with his coach, he realized he was going to have to live the pain of his character in order to achieve the emotional veracity demanded by the role. “I didn’t perform in this one,” he confessed. “There was no way to perform it rather than be it.”


Guillermo del Toro has called Bardem’s performance ‘monumental’; Sean Penn said it’s the best thing he’s seen since Marlon Brando in Last Tango in Paris. ‘When I saw King’s Speech, I thought Colin Firth gave the best performance I’d seen in a couple of years,’ Ben Affleck told me at a party for The Town a couple of weeks ago. ‘Then I saw Biutiful.’ He shook his head. ‘Javier is on another level from the rest of us.’


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A lei do silêncio é inútil. Quando algo nos persegue na nossa memória ou na nossa imaginação, as leis do silêncio são inúteis, é como fechar uma porta à chave numa casa em chamas na esperança de nos esquecermos que ela está a arder. Mas fugir do incêndio não o apaga. O silêncio em relação a uma coisa só lhe aumenta o tamanho. Cresce e apodrece em silêncio, torna-se maligno.





Tennessee Williams