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sábado, 8 de abril de 2017

ENSAIO PARA UMA CARTOGRAFIA de Mónica Calle

Teatro D. Maria II


"é necessário religarmos-nos uns aos outros"


Com Ensaio para uma cartografia, a actriz, encenadora e dramaturga Monica Calle estreou pela primeira vez uma criação sua no Teatro D. Maria II. Doze actrizes, com idades entre os 22 e os 50 anos e sem qualquer formação musical ou de dança clássica, tentam interpretar uma peça em violinos e violoncelos ou dançar em pontas. O espectáculo, resultado de um percurso que Mónica Calle iniciou em 2014 no qual procurava traçar uma cartografia alternativa pela cidade de Lisboa e, depois, por várias regiões de Portugal, pode ser visto até 9 de Abril na Sala Estúdio do teatro nacional. Em palco, as actrizes confrontam-se com os conceitos de dificuldade, de tentativa e de erro. E com a sua própria capacidade de superação.




Tentar, falhar, superar ...


Com os espectáculos todos esgotados, não foi surpresa ver uma grande performance e um enorme trabalho de resistência física ...
Muito Bom 



sexta-feira, 7 de abril de 2017

VERANEANTES de M. GORKI - Teatro Nacional D.Maria II



"No meio de uma das tardes infindáveis que pontuam Veraneantes, Kaleria deixa cair a frase — Entre nós não há ninguém contente com a vida. À plateia, estas palavras chegam com a força de um desabafo ouvido ao parceiro do lado. Em cena, criam um vácuo entre os elementos de diferentes famílias que passam, como de costume, as suas férias num lugar incerto. A juntar, para lá do horizonte em que vivem estas personagens, espreita um conturbado clima político e social. Estão reunidas as condições para que irrompa a tempestade perfeita de aborrecimento, medo e ciúme. Em Veraneantes, Maksim Gorki cria uma tapeçaria de desejo e frustração que autopsia, então e agora, a nossa impotência perante o desenrolar da vida. Com esta peça, revisita a melancolia presente em Tchekhov — o texto foi escrito em 1904, ano da morte do dramaturgo russo —, pela qual o encenador Nuno Cardoso também passou em Platónov (2008), A Gaivota (2010) e As Três Irmãs, espetáculo que esteve na Sala Garrett, em 2011. " 
D..M II

Photo by Paulo Gil - Huawei P9

"Quando saio de casa para qualquer parte levo sempre comigo uma qualquer vaga esperança... mas regresso a casa sozinha... Isso também acontece consigo?"

Photo by Paulo Gil - Huawei P9

 "Em 1904, ano em que faleceu Anton Tchékhov, na Rússia, Maksim Gorki escrevia Veraneantes. Alguns críticos teatrais consideram que a peça – que se estreou a 9 de março no Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, com encenação de Nuno Cardoso – é uma espécie de sequela de O Cerejal, de 1903. As referências ao “mestre” da dramaturgia russa, de quem Gorki era admirador e amigo, tanto são diretas, com menções nas falas das personagens, como se deixam descobrir no desenrolar da ação ou até mesmo nas pausas. As semelhanças entre os dois dramaturgos são muitas, mas, em Veraneantes, em cena no TNSJ até dia 18 de março, Gorki é direto no seu “ataque” à classe média e média-alta.
Em Veraneantes, Gorki explora o meio social da pequena burguesia ascendente e as classes trabalhadoras que começam a revelar novas orientações ao pensamento e uma nova postura na ação política e social. Na encenação de Nuno Cardoso – que regressa com este espetáculo à dramaturgia russa – encontramos quatro famílias, com personagens que se dividem por profissões liberais, médicos, engenheiros, advogados e as mulheres deles, um escritor em crise de inspiração e uma poetisa. Numa piscina meia submersa, em época estival, mostram-se acomodados à sua “vidinha”, com vontade de esquecer as suas raízes. Maria Lvovna, uma das personagens, afirma que são, todos eles, “filhos de lavadeiras, de cozinheiros, de gente sadia, gente trabalhadora. Nunca houve no nosso país pessoas instruídas ligadas por laços de sangue à massa do povo”.
A tensão vai agudizando entre conflitos, invejas e traições e com a aspiração e o inconformismo das personagens mais desalinhadas, mas o cenário é encarado como “um recreio”, onde os atores se divertem juntamente com os espectadores. O texto escrito na antecâmara da sangrenta revolta de 1905, que abriria caminho à Revolução Bolchevique de 1917, é claro nesse repto de apelar à ação em detrimento da “conversa”, onde podemos encontrar paralelismos com a atual conjuntura nacional e que são assumidos por Nuno Cardoso. Como refere numa cena Varvara Mikháilovna: “Vivemos de uma maneira estranha! Falamos, falamos e mais nada”.
O espetáculo, que se estrearia em S. Petersburgo, encenada por uma companhia mais experimental, foi alvo de criticas, apupos e artigos hostis, mas Gorki não desmoralizou. Queria que as pessoas visadas em Veraneantes percebessem que o texto era-lhes “dedicado”. A peça acabaria por ser proibida pelas autoridades, uns meses depois da estreia, e Gorki encarcerado, por envolvimento nas manifestações contra o czarismo. O seu amigo Tchékhov acabaria por dizer numa ocasião que ele inventava “pessoas originais que cantam canções em segunda mão”. Talvez seja esse, muitas vezes, o caminho do inconformismo?
Veraneantes resulta de uma coprodução de Ao Cabo Teatro, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Nacional D. Maria II e TNSJ. O espetáculo pode ser visto às quartas-feiras, às 19h00, de quinta a sábado, às 21h00, e aos domingos às 16h00. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 e os 16 euros. A sessão de dia 12 março conta com intérprete em Língua Gestual Portuguesa, sendo que nessa data decorre também no TNSJ uma oficina criativa dedicada a crianças e jovens, tendo como mote a peça. Após a temporada no TNSJ, o espetáculo vai ser apresentado no Convento de S. Francisco, Coimbra (22 de março); Theatro Circo, Braga (24 e 25 de março); Centro Cultural Vila Flor; Guimarães (1 de abril); Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa (6 a 9 abril) e Teatro Aveirense (13 de abril)."
in Palco das Artes

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

AL PANTALONE


Excelente ... 
já tinha visto a peça em 2015 no Festival de Almada, e voltou dar-me uma alegria enorme, muito bom ... 

“com delicado e sagaz humor, as armadilhas de uma sociedade magnetizada pelo dinheiro”


 Encenada por Miguel Seabra e interpretada por Guilherme Noronha, Rui M. Silva, Sofia Correia e Vitor Alves da Silva, “Al Pantalone” foi, no ano em que teve estreia, 2014, eleita Prémio do Público no Festival de Teatro de Almada e Prémio Nacional da Crítica da Associação portuguesa de Críticos de Teatro.


 "O Teatro Meridional regressa ao ambiente inspirador da commedia dell’arte para contar “a história de um embuste” – o dos dias que vivemos. O ganancioso banqueiro Pantalone (Rui M Silva) nunca diz que não a mais uma moedinha para o seu farto mealheiro. Com elas compra a política, a justiça e os favores de uma elite sempre pronta a estender a mão, aqui representada na anafada personagem do Doutor (Guilherme de Noronha). A pagar a “empresa” dos senhores do mundo, estão os suspeitos do costume, a arraia-miúda:  Zanis (Vítor Alves da Silva) e Columbina (Sofia Correia).
Com um humor irresistível, mas sem direito a final feliz, Miguel Seabra encena um texto original de Mário Botequilha sobre  “tempos de bancarrota ética e moral” – tempos nossos, aqui e no mundo inteiro. Para os mais atentos, qualquer semelhança encontrada em Al Pantalone com a vida real não é, de todo, mera coincidência."


p.s. que teatro tão acolhedor e que sala tão simpática e intimista ..

domingo, 11 de setembro de 2016

O Pato Selvagem

de Henrik Ibsen
no
 Teatro Nacional D. Maria II

” A verdade nem sempre é virtuosa, a mentira nem sempre é nociva. Na peça de Ibsen, Gregers Werle é o defensor da verdade a todo o custo, com a qual desmonta com efeitos ruinosos a vida da sua família. A “mentira vital”, capaz de manter um equilíbrio frágil, é para o encenador aquilo que “usamos sempre para nos irmos esquecendo do quão insignificante pode ser a nossa vida e esquecermo-nos de que caminhamos todos para o mesmo fim.” Nesse sentido, vê em O Pato Selvagem “um texto muito negro”, apontando para a conclusão de que “tudo é uma ilusão na qual temos de ir vivendo dentro das nossas pequenas bolhas de ilusão para nos salvarmos”.

 "uma luta entre a verdade e a mentira
o conceito da mentira vital .. todas as bulhas e as redomas que nós criamos,  ou aquilo que decidimos acreditar,  faz a nossa mentira vital " .."o grande motor para conseguirmos suportar todas estas acuras da vida ..
duas personagens ; um fanático da verdade e um outro grande apologista da mentira como uma coisa positiva "

"Num mundo que agora está poluído nas verdades de fundamentalismos, sejam eles de que ordem for, tu perceberes que a génese desses fundamentalismos vem do ser humano e que vem da pessoa e não tem a ver só com religiões ou com crenças e a vontade que nós temos de impor a nossa verdade aos outros e as consequências dessa maneira de funcionar", 
Uma peça aconselhável a pessoas "ainda" não Adultas ..    Muito Bom 

sábado, 21 de maio de 2016

LA MERDA Silvia Gallerano - de Cristian Ceresoli

excelente texto, excelente performance..
( Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada ) 
"Silvia Gallerano é um corpo que fala. E fala ininterruptamente durante a hora que dura La Merda, texto de Cristian Ceresoli escrito num jacto de fluxo de consciência, numa queda livre até acabar esborrachado nos carris de uma linha férrea. Está integralmente nua o tempo todo, uma nudez que nada tem de erótica, apenas amplia a fragilidade e a raiva que, de forma alternada, possuem a actriz. La Merda é uma peça biliar, despejada para o papel a partir do diagnóstico feito por Ceresoli de que aquele corpo, sem roupas que o classifiquem ou definam desta ou daquela maneira, em branco para que todos se possam projectar nele, é o corpo de uma sociedade suicidária. "

sábado, 16 de janeiro de 2016

voltando as salas..


Isolde uma peça inspirada na Lenda de Tristão e Isolda..

um estilo de representação que parece maravilhosamente verdadeiro,...interessante.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)

Esta música interpretada na peça "Força" por Maria José Baião, é um mimo ..

Força


Quando os fracos são a verdadeira força.


Obrigado, Mila por mais esta oportunidade de te ver em Palco ..


sexta-feira, 28 de março de 2014

CASTANHEIRA CENOGRAFIA


Ontem assinalou-se mais um Dia Mundial do Teatro
e o lançamento de dois livros do meu grande amigo arquitecto/cenógrafo José Manuel Castanheira (ed. Caleidoscópio), assinalando os seus 40 anos de carreira: "Castanheira – cenografia" e "Desenhar nuvens". no Teatro Municipal Joaquim Benite. 
Duas obras magnificas  sobre uma carreira repleta de excelentes trabalhos de uma pessoa amiga do qual prezo tanto. 
Parabéns Zé, Parabéns Mila, Obrigado Pedro e Marta 

A seguir vi a peça  "Tartufo", de Molière do qual gostei muito e aconselho vivamente. Quanto ao trabalho do zé, magnifico decor, o chão as paredes ..parecem reias, com umas cores incríveis e uma luz fantástica a fazer.-me lembrar os trabalhos de Bob Wilson.