sexta-feira, 28 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

El Llanto



Surripado ao G.Pacheco
Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrima
se faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector

sexta-feira, 14 de março de 2008

I believe I am already able to admit it,
I vaguely feel I would like to die.

- Marguerite Duras, L'Amant

quarta-feira, 12 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Masao Yomamoto




"In the past, when I was a child, I collected insects. I have a tendency to collect things. As an adult, instead of killing the insects, I began to take photos of them to collect the images.
"When I photograph, I start out with an open mind. If I start out with a precise idea of what I want to photograph, I might miss an interesting event or object. So, I begin with an open mind and try to photograph all kinds of objects.
"As you can see, my photos are small and seem old. In fact, I work so that they’re like that. I could wait 30 years before using them, but that’s impossible. So, I must age them. I take them out with me on walks, I rub them with my hands, this is what gives me my desired expression. This is called the process of forgetting or the production of memory. Because in old photos the memories are completely manipulated and it’s this that interests me and this is the reason that I do this work.
"If I take small photos, it’s because I want to make them into the matter of memories. And it’s for this reason that I think the best format is one that is held in the hollow of the hand. If we can hold the photo in our hand, we can hold a memory in our hand. A little like when we keep a family photo with us.
"I construct a story by hanging several small photos. I don’t do it chronologically. Sometimes I start with the end, sometimes with the middle, I never know where I will start. I attach one, then another, and then a third. Even I have no idea of the story it tells before I start hanging. It’s only in the theoretic hanging that the sense appears to me.
"In fact it’s as if I’m climbing a staircase and at the same time picking up some lovely stones. Even if I had decided to only take the white stones, if I see a black one I like I’ll take it too. It’s the same thing when I’m hanging, the story unfolds in a random way.
"Long ago, there was a man named Ryokan, who was a calligrapher and a poet. I have an enormous amount of respect for him. In one of his Haikus he describes simply the movement of a leaf trembling as it falls. But in reality, this poem can be interpreted in several ways. For example the falling leaf could be a metaphor for life, the right side up, the bad, and the reverse side, the good. From this simple natural phenomenon he speaks of much deeper things. I find this remarkable. I would like to take these kinds of photos.
"For me a good photo is one that soothes. Makes us feel kind, gentle. A photo that gives us courage, that reminds us of good memories, that makes people happy."
You can see more images by Masao Yomamoto here at his
web site.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

I Don't Want to Sleep Alone / Hei Yan Quan (Tsai Ming-Liang) Review


" i want to stay in your arms
because you are the only one
of mewinter has gone and spring is here
bridges are filled with flowers again
can’t you see the  pairs of  butterflies
i want to tell you that i love you
you have filled the space in my heart
spring in Jiang Nan lovely in March
can you hear the canaries sing of love"

Arcade Fire, presents: 'Black Mirror'.